Filho de Peixe...
11.Jun.2009 08:47 Filed in: Revistas
Nos passos do comandante
Marcos Amaro, filho caçula do fundador da TAM, Rolim Amaro, adota o pai como inspiração em seus negócios. E o mais ambicioso deles é - adivinhe - criar uma empresa de aviação executiva
Por Márcio Juliboni Revista Exame | 11/06/2009
Se existisse um panteão para empreendedores do capitalismo brasileiro, o comandante Rolim Amaro certamente ocuparia um lugar de destaque. Fundador da TAM, hoje a maior companhia aérea do país, Rolim foi um desbravador, dono de um estilo único de comando que mesclava sagacidade com senso de oportunidade e uma incrível empatia com os passageiros de seus aviões. A força de sua imagem é tamanha que, oito anos após sua morte, cada vez que a TAM passa por dificuldades, seus executivos sacam a expressão "rolinização" para indicar correções de rota e a volta aos valores propostos pelo comandante há mais de 30 anos.
Para o jovem empresário Marcos Amaro, de 24 anos, a figura do comandante tem um significado especial. Filho caçula do fundador da TAM, nascido de uma relação extraconjugal, Marcos tem participação de pouco mais de 3% na companhia aérea e patrimônio estimado em 200 milhões de dólares.
Mesmo com dinheiro - e idade - para levar uma vida de playboy, Marcos está empenhado em seguir os passos do pai e se firmar também como empreendedor. O mais recente movimento que fez nesse sentido foi comprar, por cerca de 40 milhões de reais, o controle da rede de óticas Carol, uma das três maiores do país, com 260 lojas e faturamento de 180 milhões de reais. "Uma das melhores recordações que tenho do meu pai foi quando pilotei pela primeira vez um avião com ele ao meu lado", diz Marcos. "Eu tinha 15 anos e nunca havia feito um voo solo. Mesmo assim tomei coragem e assumi o manche. Foi quando ele disse: 'Pronto, agora você já pode voar sozinho'."
Pouco tempo depois, Marcos teria de voar realmente só. O comandante Rolim morreria em um acidente de helicóptero, em julho de 2001. Depois da morte do pai, Marcos decidiu trabalhar na TAM. Na época, tinha 18 anos e contou com o apoio do tio, João Francisco Amaro, também acionista da empresa, para conseguir uma vaga de trainee. Apesar de ter algum contato com os irmãos, Maria Cláudia e Maurício Rolim, enquanto o pai era vivo, ele percebeu que, uma vez morto o empresário, a situação era outra. (Marcos foi apresentado aos irmãos aos 3 anos de idade.) "Rolim era o que mantinha o Marcos unido à família. Sem ele, esse laço se desfez e Marcos se tornou uma figura isolada dentro da companhia", diz um executivo que trabalhou na TAM na época em que ele cumpria o programa de trainee. O dia-a-dia na empresa lhe mostrou que dificilmente alcançaria um posto de destaque. "Por causa da minha história, eu tinha 51% de chance de não dar certo lá, por mais competente que fosse", afirma Marcos.
Disputas familiares, de acordo com os especialistas, estão entre as maiores causas de insucesso das empresas. Em geral, elas começam pela ausência de uma figura que consiga agrupar a família em torno de um objetivo comum. Por causa disso, são frequentes as disputas depois da morte do fundador ou do líder. Essas disputas podem ser silenciosas ou públicas. Um caso recente de rompimento que ganhou as manchetes foi a briga entre irmãos que dividiu o grupo Reliance, um dos maiores conglomerados da Índia.
Depois da morte do patriarca, as desavenças entre Mukesh e Anil Ambani foram parar nos jornais e nos tribunais. O Reliance, formado por mais de 100 empresas, foi dividido em dois. Criados sob o mesmo teto, filhos do mesmo pai e da mesma mãe, separados eles continuam entre os dez homens mais ricos do mundo. "Quando os laços de sangue são fracos, fruto de uma relação extraconjugal, os conflitos são mais prováveis e perigosos", diz Nigel Nicholson, professor da London Business School e autor do livro Family Wars.
Marcos Amaro, filho caçula do fundador da TAM, Rolim Amaro, adota o pai como inspiração em seus negócios. E o mais ambicioso deles é - adivinhe - criar uma empresa de aviação executiva
Por Márcio Juliboni Revista Exame | 11/06/2009
Se existisse um panteão para empreendedores do capitalismo brasileiro, o comandante Rolim Amaro certamente ocuparia um lugar de destaque. Fundador da TAM, hoje a maior companhia aérea do país, Rolim foi um desbravador, dono de um estilo único de comando que mesclava sagacidade com senso de oportunidade e uma incrível empatia com os passageiros de seus aviões. A força de sua imagem é tamanha que, oito anos após sua morte, cada vez que a TAM passa por dificuldades, seus executivos sacam a expressão "rolinização" para indicar correções de rota e a volta aos valores propostos pelo comandante há mais de 30 anos.
Para o jovem empresário Marcos Amaro, de 24 anos, a figura do comandante tem um significado especial. Filho caçula do fundador da TAM, nascido de uma relação extraconjugal, Marcos tem participação de pouco mais de 3% na companhia aérea e patrimônio estimado em 200 milhões de dólares.
Mesmo com dinheiro - e idade - para levar uma vida de playboy, Marcos está empenhado em seguir os passos do pai e se firmar também como empreendedor. O mais recente movimento que fez nesse sentido foi comprar, por cerca de 40 milhões de reais, o controle da rede de óticas Carol, uma das três maiores do país, com 260 lojas e faturamento de 180 milhões de reais. "Uma das melhores recordações que tenho do meu pai foi quando pilotei pela primeira vez um avião com ele ao meu lado", diz Marcos. "Eu tinha 15 anos e nunca havia feito um voo solo. Mesmo assim tomei coragem e assumi o manche. Foi quando ele disse: 'Pronto, agora você já pode voar sozinho'."
Pouco tempo depois, Marcos teria de voar realmente só. O comandante Rolim morreria em um acidente de helicóptero, em julho de 2001. Depois da morte do pai, Marcos decidiu trabalhar na TAM. Na época, tinha 18 anos e contou com o apoio do tio, João Francisco Amaro, também acionista da empresa, para conseguir uma vaga de trainee. Apesar de ter algum contato com os irmãos, Maria Cláudia e Maurício Rolim, enquanto o pai era vivo, ele percebeu que, uma vez morto o empresário, a situação era outra. (Marcos foi apresentado aos irmãos aos 3 anos de idade.) "Rolim era o que mantinha o Marcos unido à família. Sem ele, esse laço se desfez e Marcos se tornou uma figura isolada dentro da companhia", diz um executivo que trabalhou na TAM na época em que ele cumpria o programa de trainee. O dia-a-dia na empresa lhe mostrou que dificilmente alcançaria um posto de destaque. "Por causa da minha história, eu tinha 51% de chance de não dar certo lá, por mais competente que fosse", afirma Marcos.
Disputas familiares, de acordo com os especialistas, estão entre as maiores causas de insucesso das empresas. Em geral, elas começam pela ausência de uma figura que consiga agrupar a família em torno de um objetivo comum. Por causa disso, são frequentes as disputas depois da morte do fundador ou do líder. Essas disputas podem ser silenciosas ou públicas. Um caso recente de rompimento que ganhou as manchetes foi a briga entre irmãos que dividiu o grupo Reliance, um dos maiores conglomerados da Índia.
Depois da morte do patriarca, as desavenças entre Mukesh e Anil Ambani foram parar nos jornais e nos tribunais. O Reliance, formado por mais de 100 empresas, foi dividido em dois. Criados sob o mesmo teto, filhos do mesmo pai e da mesma mãe, separados eles continuam entre os dez homens mais ricos do mundo. "Quando os laços de sangue são fracos, fruto de uma relação extraconjugal, os conflitos são mais prováveis e perigosos", diz Nigel Nicholson, professor da London Business School e autor do livro Family Wars.




