Despropriações Apenas no Jabaquara
04.Aug.2007 00:46 Filed in: Jornais
Kassab é contra ampliação de Congonhas do lado
de Moema
por Sérgio Duran O Estado de São Paulo
Prefeito prefere fazer desapropriações de terrenos apenas no Jabaquara
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), disse ontem que é pessoalmente contrário à desapropriação de terrenos no bairro de Moema, zona sul, para construir áreas de escape nas pistas do Aeroporto de Congonhas. Já sobre o bairro do Jabaquara, na outra ponta do aeroporto, Kassab não vê, segundo assessores, inconveniência em desapropriar imóveis.
O motivo principal para Kassab preferir o Jabaquara é o fato de o trecho do bairro incluído no estudo não ter nenhuma avenida ou via pública de grande circulação de veículos. Isso dispensaria a construção de uma pista sobre pilares, do gênero do Minhocão, que liga o centro à zona oeste, passando sobre a Avenida São João e a Rua Amaral Gurgel.
Segundo a Assessoria de Imprensa da Prefeitura, a construção de um minhocão para estender a pista não foi proposta porque o projeto arquitetônico é de responsabilidade da União, e não do Município. A este coube atender a um pedido do governo federal - um mapeamento de áreas que poderiam ser desapropriadas, caso a extensão das pistas seja aprovada.
De acordo com a assessoria, se as obras ocupassem todos os terrenos incluídos no levantamento, a pista principal ficaria com quase 4.000 metros de extensão e seria uma das maiores do País. A pista tem, hoje, 1.940 metros. A previsão de desapropriação foi superestimada de propósito, para não limitar de antemão nenhuma possibilidade de projeto.
CRÍTICAS
Para o arquiteto e urbanista Jorge Wilheim, ex- secretário municipal de Planejamento, a comparação com o Minhocão é limitada porque a única semelhança entre as plataformas a serem erguidas em Congonhas e o elevado é o fato de ambos serem feitos sobre pilastras. “Talvez na parte sobre as Avenidas dos Bandeirantes e Moreira Guimarães seja possível fazer um aterro, mas isso é o que menos importa agora.” Na avaliação de Wilheim, seria melhor que a Aeronáutica se posicionasse sobre o que seria mais adequado para garantir mais segurança a Congonhas antes de a Prefeitura fazer um levantamento de áreas para desapropriação.
“Dependendo sobre quanto avançar em Moema, envolveria implosão de edifícios.” O urbanista acredita que tanto o aeroporto quanto as obras de ampliação influiriam pouco sobre a valorização dos imóveis da região. “Nunca nenhum empreendimento usou a proximidade de Congonhas como chamariz.”
Para a arquiteta Lucila Lacreta, do Movimento Defenda São Paulo, a proposta beira o delírio. “A natureza de Congonhas tem um limite, seja da segurança ou do bom senso. Ignorar o incômodo que os aviões provocam é um contra-senso.”
Lucila também criticou o fato de o estudo para desapropriação das áreas ter saído da Secretaria da Habitação, e não das pastas de Planejamento ou de Infra-Estrutura Urbana. “Considerando que a reforma atual nem foi aprovada pela Prefeitura, por não ter estudo de impacto ambiental e de vizinhança, é estranho.”
Artigo publicado em Sábado, 4/08/2007
http://www.estado.com.br/editorias/2007/08/04/cid-1.93.3.20070804.12.1.xml
de Moema
por Sérgio Duran O Estado de São Paulo
Prefeito prefere fazer desapropriações de terrenos apenas no Jabaquara
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), disse ontem que é pessoalmente contrário à desapropriação de terrenos no bairro de Moema, zona sul, para construir áreas de escape nas pistas do Aeroporto de Congonhas. Já sobre o bairro do Jabaquara, na outra ponta do aeroporto, Kassab não vê, segundo assessores, inconveniência em desapropriar imóveis.
O motivo principal para Kassab preferir o Jabaquara é o fato de o trecho do bairro incluído no estudo não ter nenhuma avenida ou via pública de grande circulação de veículos. Isso dispensaria a construção de uma pista sobre pilares, do gênero do Minhocão, que liga o centro à zona oeste, passando sobre a Avenida São João e a Rua Amaral Gurgel.
Segundo a Assessoria de Imprensa da Prefeitura, a construção de um minhocão para estender a pista não foi proposta porque o projeto arquitetônico é de responsabilidade da União, e não do Município. A este coube atender a um pedido do governo federal - um mapeamento de áreas que poderiam ser desapropriadas, caso a extensão das pistas seja aprovada.
De acordo com a assessoria, se as obras ocupassem todos os terrenos incluídos no levantamento, a pista principal ficaria com quase 4.000 metros de extensão e seria uma das maiores do País. A pista tem, hoje, 1.940 metros. A previsão de desapropriação foi superestimada de propósito, para não limitar de antemão nenhuma possibilidade de projeto.
CRÍTICAS
Para o arquiteto e urbanista Jorge Wilheim, ex- secretário municipal de Planejamento, a comparação com o Minhocão é limitada porque a única semelhança entre as plataformas a serem erguidas em Congonhas e o elevado é o fato de ambos serem feitos sobre pilastras. “Talvez na parte sobre as Avenidas dos Bandeirantes e Moreira Guimarães seja possível fazer um aterro, mas isso é o que menos importa agora.” Na avaliação de Wilheim, seria melhor que a Aeronáutica se posicionasse sobre o que seria mais adequado para garantir mais segurança a Congonhas antes de a Prefeitura fazer um levantamento de áreas para desapropriação.
“Dependendo sobre quanto avançar em Moema, envolveria implosão de edifícios.” O urbanista acredita que tanto o aeroporto quanto as obras de ampliação influiriam pouco sobre a valorização dos imóveis da região. “Nunca nenhum empreendimento usou a proximidade de Congonhas como chamariz.”
Para a arquiteta Lucila Lacreta, do Movimento Defenda São Paulo, a proposta beira o delírio. “A natureza de Congonhas tem um limite, seja da segurança ou do bom senso. Ignorar o incômodo que os aviões provocam é um contra-senso.”
Lucila também criticou o fato de o estudo para desapropriação das áreas ter saído da Secretaria da Habitação, e não das pastas de Planejamento ou de Infra-Estrutura Urbana. “Considerando que a reforma atual nem foi aprovada pela Prefeitura, por não ter estudo de impacto ambiental e de vizinhança, é estranho.”
Artigo publicado em Sábado, 4/08/2007
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