Projeto de Ampliação

Prefeitura apresenta projeto de ampliação de Congonhas
Sérgio Roxo, Diário de S. Paulo

SÃO PAULO - Apelidado de porta-aviões, o Aeroporto de Congonhas assusta os pilotos por não ter áreas de escape e ficar em uma região cercada de prédios. Mas, pelo menos no papel, já há um plano para aliviar a tensão nos pousos e decolagens. Um estudo que está na mesa do ministro da Defesa, Nelson Jobim, cria espaço para uma melhora das condições de segurança do aeroporto da zona sul da capital.

O projeto, que foi concluído pela Prefeitura da capital em dezembro, prevê a ampliação do aeroporto em área que vai da cabeceira do lado do Jabaquara até a Avenida Engenheiro George Corbisier. Para isso, teriam que ser desapropriados 2 mil imóveis. As indenizações para desocupação da área, a serem pagas pelo governo federal ou por empresas privadas em parceria, custariam R$ 500 milhões. Outro problema é a Avenida Pedro Bueno, que precisaria ser desviada.

Governo vai decidir O plano surgiu depois do acidente do Airbus A-320 da TAM, que deixou 199 mortos em julho. O prefeito Gilberto Kassab perguntou ao ministro Jobim se poderia elaborar o estudo de ampliação do aeroporto para o lado do Jabaquara. O ministro respondeu que sim, e os técnicos da Prefeitura iniciaram o levantamento.
- Fizemos o estudo das desapropriações e entregamos ao ministro. Agora, cabe ao governo federal decidir se o projeto será levado adiante - afirma Kassab.

Com a ampliação, é possível construir duas áreas de escape de concreto poroso com 300 metros, em cada uma das cabeceiras da pista. O material se rompe com peso e pode brecar os aviões. No acidente de 17 de julho, o Airbus da TAM saiu da pista, cruzou a Avenida Washington Luís e bateu em um galpão da companhia.

A pista principal continuaria do mesmo tamanho, com 1.940 metros, mas seria empurrada na direção do Jabaquara para abrir espaço para a construção da área de escape da cabeceira de Moema. O limite do aeroporto naquele lado da pista seria mantido. O urbanista Jorge Wilheim, ex-secretário municipal de Planejamento, acha que o projeto precisa ser analisado com cautela por causa das grandes alterações que provocaria no bairro.

Os técnicos aeronáuticos têm que dizer se as áreas de escape são mesmo imprescindíveis. Se for, aí tem que ser feito mesmo com o alto custo das desapropriações - analisa. Wilheim ressalta que as administrações anteriores deveriam ter feito um plano diretor que impedisse a construção de casas e prédios no entorno de Congonhas.
Quando o aeroporto foi construído, em 1930, a área era quase desabitada - diz.

Além da segurança, a Prefeitura de São Paulo vê uma outra vantagem no plano: o aeroporto se aproximaria da estação Conceição do Metrô. Porém, é preciso pensar em um meio para ligar a estação ao terminal de passageiros de Congonhas, que fica do outro lado da pista, na Avenida Washington Luís.

Sem custo estimado
Apesar do estudo da Prefeitura, não há data para o projeto ser executado nem mesmo garantia de que ele sairá do papel. O custo completo da obra não chegou a ser levantado porque, segundo o Ministério da Defesa, o assunto ainda está sendo discutido. Além dos R$ 500 milhões das desapropriações, são necessários investimentos em grandes obras de terraplanagem para alterar a pista.

O Ministério da Defesa diz que o objetivo maior, no momento, é permitir que a pista auxiliar de Congonhas, hoje ociosa por causa de medidas de segurança adotadas na época do acidente da TAM, volte a ser usada pelos aviões de grande porte. Os técnicos do ministério estão analisando as mudanças possíveis no aeroporto.

Depois do acidente de 17 de julho, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) determinou que a área útil da pista auxiliar fosse reduzida de 1.435 metros para 1.195 metros. O espaço de 120 metros em cada uma das cabeceiras da pista foi reservado para emergências, seguindo normas estipuladas por entidades internacionais de segurança de vôo.

Cetiscimo

Quem mora próximo ao Aeroporto de Congonhas está tão habituado ao som constante dos aviões quanto aos boatos de desapropriação para uma futura expansão do aeroporto.

Oficialmente, nada nos foi dito, mas essas histórias sempre surgem - afirma Augusto José Gonçalves, de 72 anos, dono de um mercado há 42 anos na Avenida Pedro Bueno, que seria afetada pela expansão.

Após a tragédia da TAM, neste ano, isso surgiu com força. Mas em 1996, no outro acidente, falou-se o mesmo e depois, nada - relembra Midori Kosae, de 68 anos, que mora há 26 no bairro, que em sua maioria é residencial e sem prédios, por ser próximo ao aeroporto.

Embora não dêem muito crédito para o que chamam de especulação, os moradores da área temem que os valores pagos pela Prefeitura sejam baixos numa eventual desapropriação. Com minha idade, seria um transtorno procurar outro lugar para morar - diz Carlos Navarro de La Torre, de 83 anos, que mora há 8 no bairro.

Plantão | Publicada em 30/12/2007 às 10h02m
http://oglobo.globo.com/sp/mat/2007/12/30/327820373.asp