Tem que Diminuir o Tráfego
20.Jul.2007 22:08 Filed in: Jornais
"Tem que diminuir o tráfego aéreo de Congonhas hoje, pois amanhã outro avião pode cair", diz Lygia Horta
Veja a entrevista em vídeo
da Redação UOL
A AMAM (Associação dos Moradores e Amigos de Moema), criada em 1987 por causa de reclamações de moradores sobre o aeroporto de Congonhas, ganha ainda mais importância depois de terça-feira, quando um Airbus da TAM atravessou a avenida Washington Luis e se chocou contra um galpão da própria companhia e um posto de gasolina. Essa associação tem entre as suas principais metas evitar ou diminuir as principais ameaças que a localização do aeroporto causa aos moradores de Moema. Na zona sul de São Paulo, Moema é um dos bairros que está na rota dos aviões que operam em Congonhas.
Presidente da associação desde 1991, a advogada Lygia Horta é filha do engenheiro responsável pelas obras de construção do aeroporto. Na época da inauguração, na década de 30, ela conta que o cenário era bem diferente do que se vê hoje. "Era como se fosse uma cidadezinha do interior. Tinha só casas térreas, sobradinhos, nenhum prédio. Aliás, era proibida a construção de edifícios acima de três andares por causa do aeroporto de Congonhas", diz. "Ninguém naquela época ia achar que hoje teria tanto movimento", completa.
Lygia mora desde 1954 na rota das aeronaves. E o transtorno que o barulho dos aviões causa sempre foi um dos grandes problemas da proximidade com o aeroporto. Tanto que a associação nasceu com o objetivo de lutar pelo seu fechamento. "Em 1987, pasmem, já achávamos que o aeroporto estava com a capacidade esgotada. E funcionava 10, 15% do que funciona hoje", fala. O aeroporto continuou operando, mas a AMAM conseguiu, em 1989, que ele fechasse entre 23h e 6h, horário de descanso noturno.
Segundo Lygia, desde que foi criada a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), o aeroporto voltou a funcionar 24 horas por dia. "Ele deixaram entender claramente que as companhias aéreas que teria preferência e que eles obedeceriam às necessidades delas e não dos moradores. Falaram isso claramente no meu rosto", pontua. A AMAM moveu uma ação civil pública contra a União, a Anac, a Infraero e as então sete companhias aéreas que operavam em Congonhas - hoje são nove. Uma liminar emitida neste mês obrigou o fechamento do aeroporto durante o período de descanso noturno. "Mas com a desculpa da reforma das pistas, o aeroporto voltou a funcionar de madrugada", conta.
Além do repouso noturno, a AMAM pede o fim dos testes de motor durante a madrugada. "E agora com esse desastre, estamos criticando o fato de construírem um belíssima garagem, um shopping center, gastarem dinheiro com isso sem pensar nos seres humanos", critica. De acordo com ela, entre 10 a 12 ou mais bairros que sofrem com o barulho e com o risco de ter "hoje, amanhã ou da cinco minutos um avião caindo sobre a casa da gente".
Com o acidente de terça-feira, Lygia afirma que a aumentou a insegurança dos moradores de Moema e região. "Porque não sabemos se hoje ou amanhã vai cair um avião em cima da casa da gente ou se algum prédio vai ter o mesmo destino que tiveram as Torres Gêmeas de Nova York", diz.
A AMAM, ela conta, deve lutar agora pela redução do tráfego aéreo em Congonhas e pela proibição de pousos e decolagens de aeronaves grandes neste aeroporto. "Congonhas é um porta-aviões. Já viu um Boeing pousar em um porta-aviões? O aeroporto está esgotado, tem que diminuir o tráfego aéreo, agora, já, não amanhã, porque do jeito que está outro avião pode cair e matar 200 pessoas", fala.
Artigo publicado em 20/07/2007
http://noticias.uol.com.br/uolnews/brasil/2007/07/20/ult2492u628.jhtm
da Redação UOL
A AMAM (Associação dos Moradores e Amigos de Moema), criada em 1987 por causa de reclamações de moradores sobre o aeroporto de Congonhas, ganha ainda mais importância depois de terça-feira, quando um Airbus da TAM atravessou a avenida Washington Luis e se chocou contra um galpão da própria companhia e um posto de gasolina. Essa associação tem entre as suas principais metas evitar ou diminuir as principais ameaças que a localização do aeroporto causa aos moradores de Moema. Na zona sul de São Paulo, Moema é um dos bairros que está na rota dos aviões que operam em Congonhas.
Presidente da associação desde 1991, a advogada Lygia Horta é filha do engenheiro responsável pelas obras de construção do aeroporto. Na época da inauguração, na década de 30, ela conta que o cenário era bem diferente do que se vê hoje. "Era como se fosse uma cidadezinha do interior. Tinha só casas térreas, sobradinhos, nenhum prédio. Aliás, era proibida a construção de edifícios acima de três andares por causa do aeroporto de Congonhas", diz. "Ninguém naquela época ia achar que hoje teria tanto movimento", completa.
Lygia mora desde 1954 na rota das aeronaves. E o transtorno que o barulho dos aviões causa sempre foi um dos grandes problemas da proximidade com o aeroporto. Tanto que a associação nasceu com o objetivo de lutar pelo seu fechamento. "Em 1987, pasmem, já achávamos que o aeroporto estava com a capacidade esgotada. E funcionava 10, 15% do que funciona hoje", fala. O aeroporto continuou operando, mas a AMAM conseguiu, em 1989, que ele fechasse entre 23h e 6h, horário de descanso noturno.
Segundo Lygia, desde que foi criada a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), o aeroporto voltou a funcionar 24 horas por dia. "Ele deixaram entender claramente que as companhias aéreas que teria preferência e que eles obedeceriam às necessidades delas e não dos moradores. Falaram isso claramente no meu rosto", pontua. A AMAM moveu uma ação civil pública contra a União, a Anac, a Infraero e as então sete companhias aéreas que operavam em Congonhas - hoje são nove. Uma liminar emitida neste mês obrigou o fechamento do aeroporto durante o período de descanso noturno. "Mas com a desculpa da reforma das pistas, o aeroporto voltou a funcionar de madrugada", conta.
Além do repouso noturno, a AMAM pede o fim dos testes de motor durante a madrugada. "E agora com esse desastre, estamos criticando o fato de construírem um belíssima garagem, um shopping center, gastarem dinheiro com isso sem pensar nos seres humanos", critica. De acordo com ela, entre 10 a 12 ou mais bairros que sofrem com o barulho e com o risco de ter "hoje, amanhã ou da cinco minutos um avião caindo sobre a casa da gente".
Com o acidente de terça-feira, Lygia afirma que a aumentou a insegurança dos moradores de Moema e região. "Porque não sabemos se hoje ou amanhã vai cair um avião em cima da casa da gente ou se algum prédio vai ter o mesmo destino que tiveram as Torres Gêmeas de Nova York", diz.
A AMAM, ela conta, deve lutar agora pela redução do tráfego aéreo em Congonhas e pela proibição de pousos e decolagens de aeronaves grandes neste aeroporto. "Congonhas é um porta-aviões. Já viu um Boeing pousar em um porta-aviões? O aeroporto está esgotado, tem que diminuir o tráfego aéreo, agora, já, não amanhã, porque do jeito que está outro avião pode cair e matar 200 pessoas", fala.
Artigo publicado em 20/07/2007
http://noticias.uol.com.br/uolnews/brasil/2007/07/20/ult2492u628.jhtm




