Morumbi rebaixado
Em entrevista coletiva, autoridades paulistanas e diretores do SPFC insistem no estádio para 2014
Rafael Massimino / Luana Costa - São Paulo
Apesar da declaração do presidente da Fifa, Joseph Blatter, de que mesmo com projeto reformulado o Morumbi não está apto a receber o jogo de abertura da Copa 2014, o comitê paulista continua apostando todas as fichas no estádio do São Paulo Futebol Clube.
“O presidente da Fifa fez críticas, mas deixou claro que não descartou o Morumbi como sede da Copa”, afirmou o presidente do comitê, Caio Luiz de Carvalho, em entrevista coletiva convocada especialmente para debater o assunto. Segundo ele, a opção pelo Morumbi é a mais viável para a prefeitura e o governo estadual, que não pretendem bancar a construção de um novo estádio na capital apenas para a Copa do Munco. “A estratégia da cidade é não gastar um centavo de dinheiro público com estádio, até porque já temos inúmeros.”
Quanto à candidatura pelo jogo de abertura da Copa, Carvalho relativizou as críticas de Blatter e afirmou que a cidade continua favorita na disputa contra Belo Horizonte e Brasília. “Quem quer uma abertura deve se sujeitar às críticas, por mais que elas sejam negativas. Mas, eu, particularmente, acho que só o tempo dirá. Nós vamos atender as exigências da Fifa. Eles vão chegar, na minha opinião, à conclusão que São Paulo é um grande negócio”, disse Carvalho. O local da abertura será anunciado apenas em 2011 pela Fifa.
Morumbi
O comitê paulista divulgou hoje o novo projeto do Morumbi – o mesmo rejeitado por Blatter para a abertura do Mundial. Pela proposta, serão construídos dois edifícios para atender às exigências de maior espaço e conforto feitas pela Fifa, um deles anexo ao estádio e outro sob a praça Roberto Gomes Pedrosa.
O prédio anexo será bancado pelo SPFC. Terá oito pavimentos, área de 20 mil m2, e abrigará os vestiários, centro de mídia e locais de acesso das seleções e convidados Vip da Fifa. Já o edifício sob a praça Roberto Gomes Pedrosa terá uma área de 50 mil m2, quatro pavimentos, e servirá como estacionamento e área de hospitalidade para os convidados Fifa e público Vip. A obra será bancada pela prefeitura e pelo governo estadual com recursos do chamado PAC da Copa – linhas de crédito de R$ 5 bilhões para obras de infraestrutura nas cidades-sede do Mundial, disponibilizadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Outra novidade é que o projeto do Morumbi inclui agora a cobertura integral das arquibancadas, item até então considerado opcional pelo SPFC. O estádio também contará com um sistema chamado de “Arena 25”, que permite a divisão do estádio em uma seção de 25 mil lugares para receber shows, espetáculos e eventos esportivos de menor porte.

Rejeitado pela Fifa, Morumbi é aposta de São Paulo para abrir a Copa (crédito: Ruy Ohtake / GMP)
Menos é Mais
Confira artigo de Creso de Franco Peixoto sobre a ampliação da pista do Aeroporto de Congonhas (SP)
Creso de Franco Peixoto
Neste artigo, o engenheiro Creso de Franco Peixoto alerta que a ampliação da pista do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, pode ser um grave erro estratégico e ambiental
Imponente obra arquitetônica incrustada em seu terminal, ícone da aviação civil brasileira e referência incontestável da acessibilidade ao grande portal econômico paulistano são alguns adjetivos que se podem aplicar ao Aeroporto de Congonhas. Contudo, pode-se subentender como erro estratégico e ambiental querer perenizar sua função como prático e único acesso aéreo ao seu centro gerador de tráfego, a metrópole paulistana. De que forma? Aumentando sua pista principal de pouso e de decolagem, como se tem noticiado, visando aparente segurança.
A principal pista de pouso e de decolagem de Congonhas, com extensão da ordem de 2 km, é suficiente para operar as maiores e mais frequentes aeronaves do mix de frota, Boeing tipo 737 e Airbus tipo 320 ou equivalentes, desde que estejam operando sem qualquer restrição quanto a sistemas de freagem. Nas extremidades desta pista há zonas de parada para assegurar aeronaves em caso de decolagem com falha, que não são suficientes para evitar o abismo da tragédia em caso de pouso com determinadas avarias.
Contudo, aumentar sua extensão em aproximadamente 1 km converge para grave erro. Pista é, por definição, a extensão de pavimento normal, projetado e construído para suportar a carga do tráfego previsto. Aumentar sua extensão corresponde a aumentar a permissividade das empresas aéreas quanto a peso e combustível, atendendo às suas premissas logísticas, óbvias sobre lucro maior.
O que se pode efetuar é a redução da extensão de pista, deixando mais espaço para os prolongamentos de segurança. Desta forma, com pista oficial mais curta, os pilotos deverão planejar os vôos para menor carga, maximizando segurança e não lucro. Assim, pode-se resgatar o conceito de segurança do passado, quando aeronaves Electra II eram utilizadas na ponte aérea e que foram aposentadas silenciosamente por idade e não por qualquer acidente que merecesse a grande mídia.
A opção do aumento da pista teria como suporte um viaduto, a avançar sobre os bairros de Moema ou Jabaquara. Este projeto iria, no mínimo, gerar impacto social considerável, por avançar em área fortemente adensada bem como socializar o ruído sobre área muito maior. Acrescente-se ainda a possibilidade de operar aeronaves maiores, cujo ruído inadmissível seria suficiente para o embargo de tal obra. Seria uma obra mais conhecida em fórum do que pelo canteiro. Não haveria pilar para sustentação.
Extensão de aproximadamente 1 km de pista em viaduto foi efetuada no Aeroporto da Ilha da Madeira, em Portugal, onde não há sequer espaço para outro aeroporto nem topografia suave. Curiosamente, houve uma tragédia com aeronave derrapando em pista molhada, antes desta ampliação. Custou meio bilhão de Euros. Supondo este custo em Congonhas, sob equivalência entre custo daquele aterro sobre mar e custos de indenização de moradores atingidos em Congonhas, poderíamos, certamente, estender o Metrô até o Aeroporto de Guarulhos, a real necessidade para torná-lo mais atraente aos passageiros e diminuir a pressão de demanda sobre Congonhas. Pena que esta absoluta necessidade de qualquer metrópole, um Metrô cuja extensão gere vontade de se deixar o carro em casa, minimizando os já graves problemas de congestionamento, que geraria definitiva solução para Congonhas, não seja levada a sério.
Creso de Franco Peixoto é engenheiro civil, mestre em Transportes e professor de Engenharia Civil do Centro Universitário da FEI (Fundação Educacional Inaciana)
Vozes de Protesto
Diógenis Santos

Parentes de vítimas fazem protesto na audiência pública.
O advogado da Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Voo 1907, Dante D'Aquino, disse nesta quarta-feira que os responsáveis pelo acidente entre o jato Legacy da Embraer e o avião da empresa aérea Gol, que ia de Manaus para Brasília, em 29 de setembro de 2006, poderão escapar da Justiça sem nenhuma punição.
D'Aquino participou de audiência pública da Comissão de Viação e Transportes para avaliar a as providências tomadas após três anos do acidente.
"Existe um sério risco com a morosidade do andamento dos processos e as táticas da defesa, como a lista de testemunhas estrangeiras e outros expedientes, dos processos caducarem em 2011", alertou.
Ele lembrou que, desde 25 de maio de 2007, quando os dois pilotos do jato e alguns controladores de voo se tornaram réus, já se passaram mais de dois anos, e o prazo para terminar o processo é de quatro anos. Além disso, D'Aquino explicou que só o primeiro dos processos já acumula mais de 20 volumes e não tem nenhuma previsão de ser concluído.
Um dos vários problemas está na quantidade de testemunhas de defesa arroladas pelos pilotos do jato no exterior. "São oito testemunhas nos Estados Unidos e uma na Suíça para falar sobre algo que nenhuma delas viu, já que não restou nenhuma vítima viva", disse.
O deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) autor do requerimento para a realização da audiência pública, lamentou a necessidade da reunião. "Não podemos deixar que essas questões passem em branco ou que a resultante delas nos campos civil e penal deixe de ser aplicada", disse.
Ele propôs, e teve o apoio dos demais, que um grupo de parlamentares da comissão vá até o presidente do tribunal regional federal em que o caso tramita alertar dos riscos desse processo ficar sem punição e pedir que seja dada celeridade à resolução dele.
Continua:
Perito diz que pilotos do jato Legacy mentiram
Para brigadeiro, aves representam risco de novos acidentes
Reportagem - Juliano Pires
Edição - Wilson Silveira
(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara')
Expansão do Metrô

Lygia Horta, Carlos Giannazi, Luiz Eduardo Cardia e Edwaldo Sarmento

População afetada pelas desapropriações discute as ações propostas na reunião
Os moradores e comerciantes dos bairros e locais adjacentes por onde a expansão da Linha 5-Lilás do Metrô (trecho Adolfo Pinheiro-Chácara Klabin) será feita foram recebidos no Auditório José Bonifácio no dia 23/09 pelo deputado Carlos Giannazi (PSOL), autor do convite feito à população e partes interessadas para que se fizesse um amplo debate sobre as condições em que se estão sendo implementadas as medidas para as obras do Metrô na região sul da capital. À mesa também estavam o advogado Luiz Eduardo Cardia, presidente da Associação dos Moradores do Jardim Novo Mundo (AMJA), Lygia Horta, que preside a Associação dos Moradores e Amigos de Moema e Edwaldo Sarmento, presidente da Associação dos Moradores do Entorno do Aeroporto de Congonhas (AMEA).
Um dos objetivos desse encontro foi discutir e estabelecer algumas ações para que as pessoas possam pleitear junto ao Metrô um diálogo mais consistente, pois a empresa está sendo acusada pelos futuros desapropriados de não ouvir as reivindicações quanto ao processo de escolha dos locais de intervenção urbana (canteiros de obras) e conseqüentes desapropriações. Giannazi disse que o Metrô continua desrespeitando os moradores desapropriados com falta de informações e sinalizando com comunicados que não vai pagar as indenizações de acordo com que havia prometido às pessoas afetadas pela obra, referenciando os valores dos imóveis pelo preço que não é o de mercado.
O deputado tem um projeto de lei (PL 425/09) que regulamenta o planejamento e execução de expropriação de imóveis de uso residencial ou comercial urbano com finalidades públicas e prevê garantias importantes como a que dá aos locatários desses imóveis, até hoje negligenciados pelo poder público quando o assunto é desapropriação, a indenização como a que já é prevista em lei ao locador/proprietário. O PL ainda prioriza aos expropriados a oferta da reocupação de áreas devolutas. Também consta no mesmo projeto a necessidade de se fazer audiências públicas com todos os moradores e locatários.
A comerciante Karla Montenegro de Menezes mostrou-se preocupada com a situação, pois ela reside e é proprietária de uma loja de roupas femininas em Moema há cerca de 15 anos, na qual emprega 5 funcionários. Ela alega que a falta de informação prejudica muito a sua atividade comercial pois não consegue planejar o fluxo atual do seu negócio e nem mesmo se terá ainda um. Sua loja está na região da futura estação próxima ao Shoppping Ibirapuera “Falta diálogo”, diz Karla, que alega ter recebido um comunicado do Metrô há uns 5 meses e, de lá pra cá, não conseguiu mais nenhuma informação.
Entre outras manifestações, moradores e empresários na mesma situação que a da comerciante reclamaram da forma como a intervenção urbana vem sendo feita pela companhia de transportes. Contudo, ficou clara na reunião que a população é a favor da expansão do transporte público na cidade. “O Metrô é necessário, isso é consenso, e um dever do estado como investimento em transporte de massa para a população, mas há de se buscar minimizar os danos às pessoas diretamente afetadas pelas suas obras”, complementa o deputado.
Giannazi exigirá para breve uma nova reunião com a presidência do Metrô e os moradores e comerciantes desapropriados e indagará à companhia de transportes sobre a forma com que vem sendo conduzida a questão, além de pedir explicações sobre a citação, feita pelo representante da AMJA, de que não haveria ainda um relatório de impacto ambiental para a obra. O deputado não descarta acionar o Ministério Público Estadual com uma Representação.
Falsificado
Segundo a agência, ele informou nome e cadastro falsos antes do voo. Documentos intactos foram encontrados no local da queda.
Do G1, em São Paulo
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que o piloto do monomotor que caiu em Santa Isabel, na Grande São Paulo, na segunda-feira (21), deu nome e cadastro falsos antes do plano de voo, porque seu brevê (documento que permite pilotar aviões) dele estava vencido desde maio. Documentos praticamente intactos encontrados no local do acidente podem ajudar a aeronáutica a investigar as causas da queda, que matou três pessoas – entre elas o piloto. A dificuldade de acesso e o mau tempo fizeram com que a perícia do Instituo de Criminalística de Guarulhos só começasse os trabalhos um dia depois da queda da aeronave. Oficiais da Força Aérea Brasileira também estiveram no local. Eles fazem parte do serviço regional de investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos.
Em casos como este, a investigação da aeronáutica tem como objetivo investigar possíveis erros e evitar que as falhas se repitam em outros voos. Apesar de toda a destruição, documentos que podem ser importantes permaneceram praticamente inteiros. “Nós achamos a documentação da aeronave, registros de manutenção, eventualmente pode ter alguma informação em relação a horas do piloto, um diário de bordo, isso pode ajudar”, explicou o major da Força Aérea Luís Renato Horta de Castro. No acidente, três pessoas morreram – o empresário Raimundo Verdi de Macedo, a tia dele, Miriam Terra Verdi, e o piloto, Darby Johnson. Eles saíram de São José dos Campos com destino a São José do Rio Preto, a 438 km da capital paulista. A aeronáutica quer saber também se o piloto seguiu o plano de voo previsto.
Governo Federal Pagará Reformas
Thales Calipo Em São Paulo
Enquanto o secretário-geral Jérome Valcké continua atacando o projeto de reforma do estádio do Morumbi, os dirigentes paulistas mostram-se mais preocupados com outro problema relacionado à Copa do Mundo de 2014: a reforma dos aeroportos no estado. Pelo projeto inicial, que será pago pelo governo federal, por meio da Infraero, Cumbica e Congonhas, além de Viracopos, este último em Campinas, serão contemplados.
A descrença dos dirigentes paulistas está na ampliação de Viracopos e na construção de um terceiro terminal de passageiros em Cumbica, obras previstas, mas que, segundo a cúpula de São Paulo, estão atrasadas e podem não ser concluídas até o início do Mundial.
Segundo informações da própria Infraero, está previsto o investimento de R$ 1,37 bilhão para a construção do Terminal 3 e de novas pistas de Cumbica. Já para Viracopos, ainda não há nenhum número público sobre as obras no aeroporto de Campinas.
Apesar de não confirmar que os governantes temem que obras nos aeroportos não sejam concluídas, o presidente da SPTuris, Caio Luiz de Carvalho, demonstrou-se pessimista sobre a criação de um trem expresso ligando Campinas, São Paulo e o Rio de Janeiro. "Seria um sonho", limitou-se a dizer.
Já a secretária de Esportes do Rio de Janeiro, Márcia Lins, também compartilha do mesmo sentimento que seu colega paulista sobre a criação do trem bala até a Copa do Mundo de 2014. Em compensação, os cariocas não devem ter o mesmo problema com os aeroportos.
"As obras para o Galeão já passaram pela licitação, então estamos esperançosos que tudo ficará pronto para a Copa do Mundo", afirmou Lins, lembrando que o local deve receber pouco mais de R$ 685 milhões para reforma e ampliação dos terminais, além da construção de um edifício-garagem.
EIA-RIMA
Relatório da Infraero aponta que barulho provocado por aeroporto está acima do que prevê lei. Para obter licença, Infraero terá de tomar medidas como reduzir testes de motor em solo e substituir alto-falante por painéis
JOSÉ ERNESTO CREDENDIO DA REPORTAGEM LOCAL
As operações do aeroporto de Congonhas, zona sul de São Paulo, emitem ruídos acima do limite previsto na legislação. O barulho em excesso atinge casas, escolas e hospitais e incomodam quem permanece na sala de embarque e no espaço reservado a autoridades. As informações estão no Rima (Relatório de Impacto Ambiental) que a Infraero encomendou à empresa VPC/ Brasil para permitir o licenciamento de operação do aeroporto. O documento foi encaminhado pela estatal à prefeitura. É a primeira vez que Congonhas, inaugurado nos anos 30, busca licença do município para operar, mas isso só ocorreu depois que a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente aplicou multa de R$ 10 milhões à Infraero, em abril de 2008. A multa ocorreu porque a empresa, segundo a secretaria, se negava a apresentar o documento. A licença vai apontar o que a Infraero tem de fazer para corrigir o barulho. O relatório recomenda, por exemplo, a redução dos testes de motores em solo e a substituição dos alto-falantes na sala de embarque por painéis eletrônicos. Caso não cumpra as determinações do licenciamento ambiental, o aeroporto pode ser multado e até ter, em tese, a licença cassada pela prefeitura. Os técnicos que fizeram o relatório concentraram as medições no período diurno (Congonhas funciona das 6h às 23h). O trabalho foi feito entre 14 e 31 de outubro do ano passado. O Rima mostra que, dos 13 pontos em que foi medido o nível de ruídos, em 10 o som estava acima do permitido. Entre os quais a escola João Carlos da Silva Borges (67,8 decibéis para um limite de 60), o hospital dos Defeitos da Face (61,3 decibéis medidos e limite de até 58 decibéis) e o hospital Nossa Senhora de Lourdes (58,9 decibéis para um limite de 58). Nem mesmo as instalações internas do aeroporto, que deveriam ter proteção acústica, escapam. No terraço do restaurante, a medição apontou 69 decibéis em um local em que o máximo deveria ser de 50. Na sala de embarque, eram 62 decibéis para o limite de 52. Além do incômodo, o excesso de barulho pode provocar problemas de audição, distúrbios nervosos e até reduzir a imunidade, dependendo dos níveis e do tempo de exposição. Em 2006, a Folha publicou que a mancha de ruído de poluição sonora de Congonhas havia, entre 1994 e 2004, ultrapassado a avenida Ibirapuera e chegado perto do Itaim, conforme avaliação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A Folha procurou a Infraero anteontem para saber que medidas a estatal pretendia adotar para corrigir os problemas, mas não obteve resposta. Uma assessora disse somente que a estatal espera as conclusões de uma audiência pública, prevista para o dia 29, para ouvir as recomendações.
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Agora teremos como fiscalizar, diz secretário
Eduardo Jorge (Verde e Meio Ambiente) afirma que relatório possibilitará à prefeitura exigir medidas contra barulho do aeroporto Especialista em legislação ambiental afirma que vizinho de aeroporto incomodado com barulho tem direito à indenização
DA REPORTAGEM LOCAL
O secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, Eduardo Jorge, afirmou ontem que, com a apresentação do Rima (Relatório de Impacto Ambiental) de Congonhas, terá condições de exigir que a Infraero adote medidas para corrigir os problemas de excesso de ruídos.
Jorge trata a apresentação do Rima como um fato "histórico", já que a Infraero sempre se negou a formular o documento, até ser multada, em 2008.
"Havia resistência, nem respondiam quando pedíamos. Mas, quando multamos a Infraero em R$ 10 milhões, veio um grupo de diretores me procurar aqui na secretaria."
Segundo ele, a partir de agora a prefeitura tem como exigir da Infraero medidas para combater os problemas encontrados. Além dos ruídos, Congonhas ainda é grande emissor de poluentes, inclusive os que provocam o efeito estufa, e atrai enorme fluxo de veículos.
"Teremos como fiscalizar, como exigir", disse Jorge, que começou a cobrar os relatórios da estatal ainda em 2006.
O secretário afirma que, como dirige o órgão licenciador, não quer se manifestar detalhadamente sobre o licenciamento, o que deve ocorrer somente após a audiência pública que ele convocou para discutir o Rima, dia 29 deste mês.
Na audiência, qualquer pessoa ou entidade interessada pode se manifestar sobre o relatório, que foi mostrado ontem a integrantes do conselho municipal do meio ambiente.
Advogados cobram
Especialistas em legislação ambiental ouvidos pela Folha defendem que a Prefeitura de São Paulo só permita a continuidade das operações do aeroporto de Congonhas caso a Infraero implante sistemas antirruído nos locais considerados mais sensíveis ao incômodo, como escolas e hospitais.
A opinião é compartilhada por Antonio Fernando Pinheiro Pedro, diretor de relações públicas da Associação Brasileira dos Advogados Ambientalistas, e Rosa Ramos, que representa a OAB no Conselho Estadual do Meio Ambiente.
Segundo Pinheiro Pedro, a prefeitura deve exigir medidas de compensação para as áreas afetadas pelo barulho.
"É possível que o poder público cobre sistemas contra ruídos nessas escolas, por exemplo, mas os próprios moradores têm direito a compensações", afirma o advogado.
A legislação, de acordo com ele, permite que um vizinho incomodado tenha direito a indenização, caso o problema (ruídos) não possa ser reduzido por algum motivo, no caso do aeroporto, já que ele fornece um serviço público.
Para Rosa Ramos, também é momento de rediscutir o uso do solo na região de Congonhas, já que está em discussão pelo governo federal a proposta de se ampliar o aeroporto.
"O aeroporto existia antes dos bairros que se formaram naquela região. Mas hoje temos uma realidade nova, e o município deve avaliar que tipo de ocupação deve ser feita por ali", afirma a advogada.
A presidente da sociedade dos moradores de Moema, Lygia Horta, afirmou que o estudo é uma vitória para os vizinhos. A entidade começou a acionar a Justiça por conta do barulho nos anos 80. "A Infraero admite só agora algo de que vínhamos falando há 20 anos, que o barulho de Congonhas incomoda, prejudica a saúde." (JOSÉ ERNESTO CREDENDIO)
Mais Tranquilidade
RIO - O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) do Rio de Janeiro e a Infraero entraram em acordo nesta sexta-feira sobre as restrições aos voos no aeroporto Santos Dumont, na capital fluminense. Foi definido na reunião que a rota 2 de pouso e decolagem só será usada, a partir da próxima terça-feira, quando as condições atmosféricas comprometerem a segurança.
O Inea havia entrado em desentendimento com a Infraero sobre a Rota 2, que passa sobre vários bairros da zona sul da cidade. O instituto considera que a rota causa muitos transtornos aos moradores dos bairros, devido ao ruído dos aviões durante as operações de pouso e decolagem.
Também foi definido que, dentro de 15 dias, o aeroporto deverá ficar fechado entre as 23h e 6h. O horário limite para chegada e partida das aeronaves será de 22h30, com tolerância de atrasos de 30 minutos. Voos que ultrapassarem este horário serão desviados para o Galeão.
Participaram da reunião o novo presidente da Infraero, Murilo Marques Barbosa, o diretor-geral do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Dcea), tenente-brigadeiro do Ar Ramon Cardoso, a presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Solange Vieira, e o presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Luiz Firmino Martins Pereira.
Outro ponto acordado foi a redução, no prazo de 30 dias, do número de voos por hora. Para isso, a ANAC deverá remanejá-los, permitindo que o número máximo passe dos atuais 23 para 19 por hora, nos horários de pico entre 10h e 12h e 19h e 21h. Retornando, assim, às condições de operação do Santos Dumont antes do incremento do número de voos, em abril.
Na reunião, ficou estabelecido ainda que a Infraero iniciará estudos de medições de ruídos, sobretudo nos bairros afetados pelo tráfego aéreo da Rota 2: Cosme Velho, Botafogo, Urca, Santa Tereza, Laranjeiras, Flamengo, Catete e Glória.
Copa de 2014:
(*) Robson Paulo de Lima
Sorocaba - A cidade de Sorocaba, a 86 km da capital, não terá praticamente nenhuma participação durante os eventos da copa do mundo de 2014. Há alguns anos, antes mesmo de o Brasil ter sido escolhido sede da Copa do Mundo, o Clube Atlético de Sorocaba havia divulgado na imprensa local um mega projeto que envolveria a construção de um CET (Centro de Treinamento) e um mega estádio coberto com grande capacidade de pessoas que teria plenas condições de abrigar os eventos da Copa do Mundo de 2014. São Paulo terá o Estádio do Morumbi como principal palco do evento e ganhará a moderna estação de trêm de alta velocidade (TAV) a ser construída no Campo de Marte. Guarulhos receberá uma linha do TAV além de dividir com o aeroporto de congonhas os vôos charters que serão necessários para o transporte de turistas, empresários e jornalistas do evento. A cidade de Santos será uma das sub-sedes da copa e deverá acomodar e receber uma boa parte dos turistas, além de ter estrutura portuária para a recepção de navios cruzeiros. Já a cidade de São José dos Campos será uma das principais beneficiadas pois está na rota de duas sedes: Rio de Janeiro e São Paulo. Com a implantação do TAV, poderá ser o centro de hotelaria dos participantes, pois é uma cidade com boa qualidade de vida e número razoavel de hoteis que podem ser adaptados para o evento. A influência da cidade de Campinas dentro do estado fez com que a mesma se transformasse no ponto final do TAV, mesmo estando mais distante de São Paulo em relação a Sorocaba. O sitema TAV não só beneficiará Campinas durante a copa, mas também deverá ligar definitivamente aquela cidade com a região metropolitana de São Paulo. Sorocaba poderia estar na rota do TAV se Curitiba tivesse tanta influência quanto Campinas. É sabido que Curitiba mesmo sendo sede da copa não conseguiu levar o TAV para o seu território. Ainda em São Paulo, Jundiaí será uma das cidades mais beneficiadas. Além de receber o sistema TAV, já possui importantes investimentos para que possa receber toda a aviação executiva da região metropolitana de São Paulo inclusive a que será deslocada para o seu território com o fim do Campo de Marte. Com essa definição, o aeroporto de Jundiaí consolida-se e entra na lista dos principais aeroportos do Estado ao lado dos aeroportos de Cumbica, Congonhas e Viracopos. E sorocaba? O que sobrou para Sorocaba? Sorocaba imaginou, vislumbrou, mas não planejou. (*) Robson Paulo de Lima é analista financeiro e consultor de Gestão Estratégica de Negócios.
Prazo Extendido
Se não cumprir exigências, empresa pode ser multada em R$ 25 mil. Inea pede mudanças para diminuir barulho em áreas residências do Rio.
Do G1, no Rio, com informações do RJTV
A polêmica das mudanças no aeroporto Santos Dumont, no Rio, ganhou mais um episódio. A Infraero, empresa que administra os aeroportos, pediu ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) mais um dia para se adequar às novas normas que pretende restringir o voo de aeronaves sobre áreas residenciais da cidade e proibir o funcionamento do aeroporto entre 22h e 6h. Se não cumprir as exigências, a Infraero pode ser multada em R$ 25 mil. Visite o site do RJTV Segundo a notificação do Instituto Estadual do Ambiente, a medida foi tomada por causa do barulho e do risco de danos ambientais, desde o dia 13 de agosto. O prazo de 20 dias, dado para a Infraero se adequar à norma, acabou na segunda-feira (31). O Aeroporto Santos Dumont opera com duas rotas de decolagem e quatro de pouso. A rota 2, que deve ser suspenso segundo a determinação do Inea, é usada somente para pouso e passa sobre oito bairros da Zona Sul do Rio: Cosme Velho, Botafogo, Urca, Santa Teresa, Laranjeiras, Flamengo, Catete e Glória. Segundo o Inea, fiscais vão ser deslocados para esses bairros, com o objetivo de apurar a frequência dos vôos na rota 2. Pela determinação do instituto, ela só pode ser usada em casos de emergência ou de alterações climáticas.
Licença ambiental
A Infraero informou que entrou com um recurso contra a decisão e que já deu entrada para obter a licença ambiental, mas ainda aguarda resultado.
Já o Inea confirmou que a licença ambiental está pronta e regularizada, mas ainda depende do pagamento da compensação ambiental pela Infraero, por causa da obra de ampliação do aeroporto.
22 voos afetados
A Anac informou que a decisão de suspender as operações entre 22h e 6h vai afetar 22 voos no Santos Dumont. A agência explicou ainda que a capacidade do Santos Dumont é de 23 voos por hora.




