6 meses
Tragédia com voo que ia do Rio de Janeiro a Paris completa seis meses nesta terça-feira
Lucas Bessel, do R7 - 02/12/2009
Monumento em memória das vítimas do voo AF447, no Rio; parentes ainda aguardam indenizações e reclamam de falta de suporte da Air France
Familiares de vítimas do acidente com o voo AF447, que completa seis meses nesta terça-feira (1º), reclamam da falta de suporte da Air France nos meses após a tragédia.
Daniela Moreira Henriques, que perdeu a irmã Adriana, de 27 anos, diz que a companhia aérea coloca impedimentos de todo tipo às famílias:
- É tudo um custo para conseguir. Com assistência psicológica, por exemplo, eles pagaram só dez sessões. Como é possível que somente dez sessões ajudem a superar uma tragédia dessas?
Daniela também afirma que não conseguiu sequer o reembolso do valor das passagens compradas pela irmã:
- Desde julho eu estou tentando o reembolso das passagens que minha irmã comprou. Cada hora é um papel diferente que tenho que enviar, não sei mais o que eles querem.
Sobre indenizações, Daniela diz que ainda aguarda a análise dos advogados que cuidam do caso:
- Muitas famílias estão na mesma situação, com os mesmos advogados. Ainda não sabemos como será feito.
Nas semanas seguintes ao acidente, a Air France fez depósitos individuais no valor de R$ 45 mil (17 mil euros) a parentes de vítimas no Brasil. A soma diz respeito a um adiantamento do seguro obrigatório, que na Europa é de R$ 344 mil (130 mil euros).
Dezenas de processos foram abertos por familiares e amigos de vítimas do acidente contra Air France, Airbus, autoridades de aviação civil francesas e outras empresas ligadas à aviação.
Ações judiciais correm no Brasil, na França, nos Estados Unidos, na Alemanha e na China.
Embora as causas oficiais do acidente ainda não tenham sido divulgadas, advogados ligados ao caso alegam que a tragédia poderia ter sido prevenida.
Na China e na Alemanha, os representantes das famílias dizem que houve negligência. No processo, eles afirmam:
- Problemas recorrentes com os sensores de velocidade das aeronaves são descritos desde 1998, mas nem a Airbus nem a Air France investigaram o problema a fundo. Em 2006, a Airbus chegou a sugerir a necessidade de instalação de um sistema de apoio para entrar em ação caso o sistema principal falhasse, mas as autoridades de aviação civil da França nunca tornaram a medida obrigatória.
Pelo menos metade das 58 famílias residentes no Brasil ainda aguarda a proposta de indenização da Air France. Quem acompanhará o processo e a negociação individual de valores é a Câmara de Indenizações do Rio de Janeiro, que será instalada no dia 10 de dezembro e começará a estabelecer os valores mínimos individuais das compensações por dano moral e patrimonial.
De acordo com informações da Associação Brasileira de Amigos e Parentes das Vítimas de Acidentes Aéreos (Abrapavaa), pelo menos outras 20 famílias optaram por entrar com ações judiciais nos Estados Unidos.




